Resenha
Hwang Boreum, engenheira de software por excelência, deixou uma verdadeira ode às livrarias de bairros. Percebi, não identificando se é a causa ou a consequência, que este livro fez parte de um dos vários livros promotores desse formato. Quem não gosta de uma boa e calma livraria de bairro? Um bom café e boa companhia? Lembrou-me da minha amada em nossas tardes no Sabiá Livros, com todas as estantes para explorar e boas bebidas para tomar.
Um livro propositalmente lento, sem um plot dramático, nem uma epifania lispectoriana. Faz parte de um gênero que na Ásia chamam de “healing books” porque lavam a alma. Aborda temas universais: amor, emprego, divórcio, “fracasso”, amizades, sonhos e a eterna dialética do fazer o que gosta ou o rentável. Ainda assim, mesmo com tantos temas obviamente não tão aprofundados, identifico como um livro marcante em minha vida.
Muitos enxergam como “ensinamentos”, mas as dicas e reflexões mudaram muito a forma como enxergo o trabalho e a leitura. O emprego e o esforço foram abordados de diferentes maneiras sob a ótica do “Tripalium” quando tóxico, deslocado, mas também da realização e tranquilidade quando aproveita-se o que gosta e acalma as ambições. A literatura, por outro lado, é apresentada como parceira em diferentes fases da vida, principalmente quando é discutido o que é um bom livro e como o momento da sua vida impacta esse julgamento.
Particularmente, sinto que internalizei as reflexões e senti-me mais conectado às atividades que realizo. O trabalho soa bem mais harmônico, as amizades sorriem um pouco mais em minhas memórias, os beijos são um pouquinho mais coloridos e até o café é um pouquinho mais gostoso. Percebo, hoje, então, talvez mais do que consiga escrever, que viver é sobre aproveitar, é o “deixar viver” e sentir cada experiência, cada emoção.
Recomendo a leitura após alguma outra pesada. Reitero esta dica. Um bom jeito de internalizar reflexões e também buscar uma próxima empreitada literária.
Citações
aprendeu a escutar o corpo; os seus sentimentos e a estar em lugares felizes.
apontar as tarefas que precisava de fazer no dia seguinte
Ninguém comentava o rosto manchado do choro. Ninguém lhe perguntava porque chorava
A solidão liberta-nos, tal como o isolamento torna a nossa vida mais profunda.
Estava um pouco só, mas, por causa de Ti, sinto-me menos sozinha.
… homem perto dos cinquenta anos lhe pediu que lhe recomendasse um livro. — A Espera no Centeio, de J. D. Salinger é muitíssimo interessante — disse, entusiasmada — Já o leu?
SER OBJETIVA. FAZER PERGUNTAS
Haverá um livro que liberte um coração sufocado?
Um bom livro é sempre uma boa leitura?
Era possível sentir-se confortável sem precisar de preencher o silêncio
O ódio destruiu meu corpo
“Fazer papel de idiota”: um pensamento que tranquiliza
Divorciar-se da ambição
Acha que os livros que li me levaram a fazer as escolhas que fiz na vida?
Se estivermos a pensar em fazê-lo, leiam livros sobre quem o fez.
A harmonia é precedida pela dissonância e por isso que pensamos que a vida é má.
Isso aqui tem em O Jogo das Contas de Vidro ou é impressão minha??
Exatamente como os grãos, também havia sentimentos que ele deveria descartar.
Vou provavelmente fazer figura de idiota. Esse pensamento deixou-o menos nervoso
Dedicar-se a algo do que gostasse e algo em que era bom
O trabalho desempenha um papel importante, mas não é o único responsável pela nossa felicidade ou infelicidade.
Pensa em fazer um esforço no que fazes, que já estejas a fazer, em vez de fazer um esforço no que te distrai.
Focar-se no café no momento é o que está a fazer.